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O Resgate da Filosofia de Marc Sautet

cafepharesQuando falamos em Aconselhamento Filosófico, logicamente nos sãos apresentados alguns aspectos favoráveis e desfavoráveis para essa prática. Marc Sautet (1947-1998) foi um escritor francês, professor e filósofo. Sautet era um ex-trotskista, traduziu algumas obras de Nietzsche e o considerava um precursor do seu tempo. Começou seu trabalho organizando encontros filosóficos para cidadãos comuns nos cafés parisienses. Esse movimento foi chamado de “Um Café para Sócrates”, que mais tarde foi título de um de seus livros. Ele acreditava que através do diálogo era possível incentivar a liberdade de expressão, posteriormente, começou a realizar consultas filosóficas.

O trabalho de Marc Sautet apresenta argumentos favoráveis para tornar a filosofia um instrumento válido para os dias atuais, segundo ele, com o avanço de outras ciências, a filosofia foi perdendo suas principais características operacionais, sendo incapaz de responder as principais questões para a qual foi pensada, além de ter perdido espaço no campo do conhecimento cientifico para outras áreas.

Sautet acreditava, também, que além desse resgate do conhecimento filosófico, a sociedade moderna trouxe muitos problemas que urgem a necessidade de discussões de temas ligados a: corrupção, miséria, tráfico de drogas, fanatismo religioso, bioética e armas químicas. Conforme as palavras do autor “apresenta uma proposta de filosofia fora dos muros acadêmicos e independente do conceito tradicional”.

Neste sentido, Sautet defende a volta da filosofia para sua verdadeira função, ou seja, pensar o que realmente interessa aos seres humanos, fazer da Filosofia uma prática capaz de restabelecer as reflexões filosóficas dos indivíduos, fortalecendo sua relação consigo mesmo e para com os demais.

Por ser uma proposta diferente e inovadora de fazer Filosofia, o Aconselhamento Filosófico enfrenta algumas críticas, a imprensa Europeia não poupou Sautet por associar esse movimento a um pretexto mercantilista, incentivando propensos filósofos a exercerem, profissionalmente, a Filosofia, além das funções de Professor e ou Escritor. Aqui no Brasil, numa pesquisa recente, encontrei, também, criticas a esse movimento, numa tese de doutorado de Marli Aparecida Pechula podemos identificar essa critica ao movimento da Filosofia Prática.

Caberia uma longa discussão sobre esse tema, pois parece haver um paradoxo profissional a ser clarificado, academicamente, as disciplinas universitárias objetivam, além de formar profissionais para o mercado de trabalho, suprir as necessidades da sociedade, criando novos cursos e aperfeiçoando os existentes. O resultado final é que ninguém se forma advogado, médico ou engenheiro, como em qualquer outra disciplina, os estudantes se debruçam sobre os estudos do Direito, da Medicina e da Engenharia. Profissionalmente, para exercerem atividades nas respectivas áreas, precisam obter uma certificação que os habilitem a exercer sua atividade (OAB, CRM, CREA).

Por que então a Filosofia deve ficar encarcerada?

A chamada “filosofia de balcão” foi denominada assim por muitos da imprensa francesa para criticar o trabalho de Sautet, esse tipo de atividade, argumentavam,  tratava-se de um mercantilismo exploratório das desgraças daqueles que buscavam respostas.

Atualmente, está cada vez mais clara a importância do papel da ciência em nossa sociedade, conforto, melhoria no tratamento de algumas doenças, comunicação, globalização, etc., enfim, com o avanço tecnológico nossa sociedade avançou. Isso, também, colaborou para tornar as pessoas cada vez mais especialistas e distanciam-se do conhecimento geral, tornando-as alienadas.

O pensamento filosófico tradicional é um instrumento de reflexão que parte de posturas racionais e de indagações que não exigem resposta, dessa forma, é possível o homem ler, entender e interpretar o mundo. Este é o modelo de busca da verdade pela razão e base do estudo da Filosofia.

Libertando-se da tradição e ultrapassando os muros acadêmicos, as discussões filosóficas possuem como característica principal, orientar a vida das pessoas de maneira racional, quer seja, individualmente e em comunidade. Neste caso, entendo que pode ser aplicada em qualquer local que possuam pessoas dispostas a isso.

A possibilidade da “Filosofia de Bar” é tão concreta que eu mesmo participo de um, formado no início do curso de Filosofia, criamos a “Filojoada”, um encontro no bar da esquina que utilizávamos para almoçar e discutir os mais variados assuntos. Mesmo após o término do curso, continuamos a nos encontrar com certa frequência para discutirmos os mais variados assuntos e nos divertirmos muito com isso. Os membros são de diferentes classes sociais e profissionais, que vão de economistas à pastores evangélicos.

Atualmente, as Oficinas Filosóficas são um exemplo de como a Filosofia pode ser aplicada.

Por Renato Alves

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