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O que é Aconselhamento Filosófico?

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Atualmente, devido as inúmeras atividades desenvolvidas no mundo moderno não nos damos conta das nossas ações e reações diante de determinados problemas do cotidiano, agimos e reagimos de forma diferente diante de situações semelhantes, criando assim, um ambiente propício para questionamentos pessoais, familiares ou profissionais. Quem eu sou? O quem vim fazer aqui? Qual o meu propósito de vida? Além de outras questões que, diariamente ou num determinado período, se apresentam. Neste caso, a proposta é investigar até onde a utilização da Filosofia, pode orientar as pessoas a fundamentarem suas escolhas e buscarem novos resultados, ou seja, analisando o presente com vistas para o futuro.

O termo aconselhamento não nos parece muito aplicado a Filosofia, pois, logo vem a pergunta: Cabe a Filosofia voltar-se para si mesma, objetivando encontrar uma forma para “ajudar” uma pessoa ou um grupo?

Obviamente, para responder essa questão, partimos da premissa que a Filosofia deve sim se importar e procurar redescobrir seu sentido. Atualmente, o movimento de tornar a Filosofia prática está presente em vários locais: associações, cursos, palestras, conferencias, seminários e cafés filosóficos.

Os estudos sobre o processo de tornar a Filosofia uma disciplina capaz de “ajudar” alguém remonta aos seus primórdios, a preocupação em torná-la prática vemos em Epicuro, conhecida, também, como “Terapia da Alma”. Segundo Epicuro, um dos fundadores do movimento que leva seu nome, o Epicurismo, cabe ao filósofo aliviar o sofrimento humano e preencher os vazios existenciais dos indivíduos. Os estoicos também discorreram sobre, a Filosofia Estoica deixa claro que o papel da Filosofia é a arte de aprender a viver bem. Sócrates usou a dialética para incentivar os seus concidadãos a exercitarem a reflexão lógica e o pensamento crítico, forçando seus interlocutores a reexaminarem seus pensamentos e ações.

Durante a trajetória da Humanidade, muitos filósofos foram chamados para serem conselheiros de governantes, Aristóteles foi professor de Alexandre, o Grande; Sêneca foi conselheiro de Nero; Heidegger participou do partido nazista e depois foi reitor da Universidade de Friburgo, enfim, muitos outros, também, foram e são representantes de correntes de pensamentos que influenciam muitos políticos, educadores e empresários. Atualmente, no Brasil, vemos filósofos sendo chamados para darem suas opiniões em programas de televisão, rádio, palestras e entrevistas, tais como: Mario Sergio Cortella, Clovis de Barros Filho, Marcia Tiburi e Viviane Mosé.

O movimento atual de Aconselhamento Filosófico iniciou com Gerd Achenbach na Alemanha, em 1981, começou como uma alternativa para os tratamentos psicoterápicos e psicanalíticos, mas não como uma nova espécie de terapia. O trabalho desenvolvido por Achenbach serviu de base para a carreira de muitos outros filósofos que trabalham com a Filosofia Prática.

Outro representante do movimento de Aconselhamento Filosófico é Peter Raabe, nascido em 1949, Montabauer – Alemanha e vivi no Canadá desde 1957. Segundo Raabe:

“O aconselhamento filosófico consiste de um filósofo treinado ajudando um acordo individual com um problema ou uma questão que é motivo de preocupação para esse indivíduo” (RAABE, 2015, p. 1).

Em Portugal, em Faro, temos o trabalho de Jorge Humberto Dias, Diretor do Gabinete PROJECT@, Coordenador da Linha de Investigação em Filosofia Aplicada na Universidade Católica Portuguesa e Doutor em Filosofia pela Universidade Nova de Lisboa, autor do livro: “Pensar Bem, Viver Melhor” (2006). Em Braga, temos Eugénio Oliveira, professor, consultor/assessor Ético e Filosófico, Presidente da APEFP – Associação Portuguesa de Ética e Filosofia Prática, tem a missão de promover os estudos, a investigação e a formação nas áreas da ética e da Filosofia.

Segundo Jorge Humberto Dias:

“O Aconselhamento Filosófico é a aplicação da Filosofia aos temas/problemas do mundo contemporâneo. É uma atividade profissional que fornece um serviço de consultas utilizando a Filosofia para diversos fins: ajudar uma pessoa a sentir-se melhor, a resolver um determinado problema ou a compreender melhor uma determinada questão”.

Resumidamente: Uma forma de esclarecimento mútuo entre o Filósofo e a pessoa ou grupo, um espaço para a investigação filosófica encontrar novos argumentos que preencham os questionamentos levantados, como por exemplo: Angústia diante da morte; Desespero diante do futuro; Dificuldades para resolver conflitos; Falta de sentido na vida; Frustrações diate do desejo pela felicidade; Indecisão perante dilemas; Trabalhar um projeto de vida e outras mais e, ao filósofo, cabe pensar com elas.