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Pensar sobre a Morte

mortePodemos começar por entender a morte como uma certeza da vida! Várias interpretações podem ser encontradas, tanto nas ciências como nas religiões, cada uma buscando a consolação para o entendimento desse fenômeno misterioso.

Atualmente, a ciência pode explicar a morte através da análise de estruturas formadas de proteínas e DNA, denominada Telômero. Localizadas nas extremidades dos cromossomos e responsáveis pelo processo de divisão e manutenção celular, essa teoria prevê que a cada divisão celular o número de telômeros diminui. Descoberto por Leonard Hayflick em 1965, esse método de demonstração foi chamado de Limite de Hayflick. Resumidamente, a morte estaria associada a esse limite, quando o número de telômeros chega ao final, a célula para de se reproduzir, dessa forma se, num curto espaço de tempo, o número de telômeros das células de um determinado organismo diminuírem, inicia o processo de morte celular ou Apoptose.

Para as religiões a morte é uma passagem para um outro mundo, podendo ser pior ou melhor segundo as ações da pessoa. Outras acreditam que a morte não é uma tragédia e deve ser entendida de forma natural. Existem aquelas que acreditam na reencarnação, transmigração das almas, etc. Enfim, a cultura da morte sempre existiu e podemos evidenciar na história, das múmias egípcias aos rituais fúnebres atuais.

O problema da morte está no sentido que damos a ela, pois sendo um fenômeno que se experimenta uma única vez, ela só traz questionamentos quando observada através do outro, como a morte de parentes, amigos e, também, mesmo quando recebemos a notícia da morte de alguém desconhecido ou quando o número de mortes é alto, principalmente, quando é oriundo de acidentes ou catástrofes. A sensação é de incompletude, como se algo ficou inacabado e que mais alguma coisa estava por acontecer na vida daquele que se foi.

Muitos filósofos discorreram sobre a morte, produziram dissertações sobre ela das mais variadas formas. Um dos filósofos que abordaremos, com especial atenção nesse artigo, é Montaigne, ele enfatiza que ser filosofo é aprender a morrer. Montaigne descreve muito bem sobre a morte não é a responsável pela abreviação da vida, um resumo mal contado por falta de tempo e convida-nos a refletir sobre o exercício do filosofar. No livro Ensaios, Cap. XIX – De como filosofar é aprender a morrer – podemos observar sua análise:

Qualquer que seja a duração de vossa vida, ela é completa. Sua utilidade não reside na duração, e sim no emprego que lhe dais. Há quem viveu muito e não viveu. Meditai sobre isso enquanto o podeis fazer, pois depende de vós, e não do número de anos, terdes vivido bastante”.

Na antiguidade, o filosofo Epicuro, também, falava sobre não temermos a morte, segundo ele: “Por que ter medo da morte? Enquanto eu existo, a minha morte não existe; quando a minha morte existir, eu não existirei mais; portanto, nunca vamos nos encontrar”.

Muito semelhante a abordagem fenomenológica sobre a Morte, observaremos que ela é um fenômeno natural que faz parte da existência humana, diferente de uma planta que murcha ou um animal que morre, a morte é uma experimentação individual, por isso, só temos contato com ela através da morte do outro, daí percebemos o fenômeno, mas nunca a experiência.

Por essas e outras tantas explicações que podemos descrever a morte como inevitável e pertencente a condição humana. Não devemos teme-la, mas entende-la como um fenômeno natural que não tem dia e hora para chegar.

Acredito que um dos pontos fundamentais à observar sobre a morte é o momento que ela ocorre, recentemente, passei por essa experiência e pude ver uma pessoa querida morrendo e, mesmo sabendo que o sofrimento já durava muitos anos, onde se acreditava que a morte era o melhor remédio, vendo-o morrer, não consegui evitar os pensamentos e sentimentos confusos sobre a morte.

Atualmente, existe o movimento de Aconselhamento Filosófico e será muito comum as pessoas procurarem o aconselhador por temerem a morte ou terem passado pela experiência de perder alguém. Outras, somatizam sentimentos autodestrutivos, tornando-as mais preocupadas com o que lhes podem acontecer, dessa forma, evitam tomar ações que poderiam colaborar para o crescimento pessoal.

Utilizando de metáfora: Viver é como escrever um livro, a cada dia que passa, a cada ação tomada, uma página é escrita. Esse livro não tem um final programado, não tem a cor da capa definida e nem uma quantidade de páginas determinada, sua qualidade será definida pelo seu conteúdo.

Agora você tem 3 opções: 1) deixa-lo em branco; 2) escrever conteúdos rasos ou, 3) torná-lo um exemplar que poderá traduzir quem você foi e o que fez, por isso, escreva cada página como se estivesse escrevendo a última!

Por Renato Alves

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