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A virtude socrática da “autonomia da razão”.

socratesAo buscarmos a etimologia da palavra autonomia, podemos entender como sendo a busca do individuo para estabelecer suas próprias leis, neste caso, a virtude socrática da “Autonomia da razão” entende-se pela capacidade do individuo, utilizando-se da própria razão, sem se apoderar do pensamento do senso comum, a fazer suas escolhas baseadas nos princípios da moral e da ética. Com isso, os indivíduos são capazes de refletir e oporem a sua própria realidade, por isso, a filosofia Socrática é fundamental para o ensino do Filosofar, pois, permite a busca da verdade a partir da evidencia da sua própria ignorância, utilizando a dialética.

A palavra “virtude” é um elemento fundamental na filosofia de Sócrates, para ele os homens só teriam o conhecimento verdadeiro através da existência da virtude. Naquele período, a ética estava relacionada com a virtude pessoal, por isso, Sócrates utilizava conceitos para então diferenciar o homem vicioso do virtuoso, neste caso, a felicidade estava em agir pela virtude, ou seja, a moral é o ápice da sua filosofia e para alcançar a felicidade seria necessária a prática filosófica.

Para Sócrates, alcançar a felicidade é algo que está disponível a todos, desde que a pessoa se submeta ao autoconhecimento, utilizando-se do método filosófico. Segundo Alain de Botton, Sócrates se valia de algumas etapas distintas com as quais qualquer pessoa podia formular uma boa ideia, bastando segui-las para chegar lá: 

  • Pegue um conceito considerado verdadeiro pela maioria;
  • Tente achar uma exceção;
  • Se for possível encontrar a exceção, o conceito deve ser falso ou impreciso;
  • Ache uma nova definição que abarque a imprecisão;
  • Continue repetindo o processo, tentando achar o máximo de exceções para o conceito escolhido.

O Método socrático pode ser resumido nas ideias convergentes: “Conhecer a si mesmo” e “Cuidar de si mesmo”. Esse é o motor da Prática Filosófica, apesar de existirem metodologias complementares, esta permite questionar aquilo que se pensa e que se tem como verdade. Como ferramenta didática, a utilização do diálogo socrático procurará desenvolver competências que permitirão formular questões mais claras, além de: desenvolver a capacidade argumentativa; pensar criticamente; ser mais criativo; aprofundar intelectualmente nas suas experiências cotidianas; aprender a ter paciência e compreender a importância de ouvir os outros.

Por Renato Alves

 

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